A Ligação entre a Ciência do Comportamento e a Performance Empresarial

A Ligação entre a Ciência do Comportamento e a Performance Empresarial

A Ligação entre a Ciência do Comportamento e a Performance Empresarial 1400 1980 estagio 2021

No mundo dos negócios, sempre houve uma tendência geral para deteriorar o papel da psicologia (Filippis, Stefania De, 2020), no entanto, nos tempos que correm, negócios de sucesso focam-se cada vez mais nas ciências comportamentais. Tem vindo a revelar-se fundamental que as organizações procurem ampliar o seu conhecimento sobre o comportamento humano.

Com base no artigo escrito por Stefania De Filippis, publicado no The Marketing Technologist, quando a empresa se concentra na boa experiência do cliente aliada às ciências comportamentais, é construída uma experiência de marca positiva, que revelará o crescimento de vantagem competitiva, ou seja, uma vez que conseguem compreender o porquê do comportamento dos clientes, a probabilidade de os satisfazer é bastante mais elevada e é ganha uma grande vantagem competitiva em relação aos concorrentes. Como mencionado no blog da organização Belga, Sentiance “isto requer negociar para atender às necessidades do cliente no meio do caos da vida quotidiana, e entregar-lhe o conteúdo certo no momento certo”.

No entanto, não é só num contexto externo que a ciência do comportamento se revela cada vez mais importante, a “forte corelação entre a psicologia e a melhoria das relações” (Teifenbancher, Wanda, 2019), ocorre tanto a nível externo como interno, dentro da própria organização, e as práticas em ambiente de trabalho, ainda assim, os comportamentos psicológicos, na maioria das organizações, tendem a ser quase ignorados, mesmo que os princípios comportamentais e psicológicos sejam um fator de importância na cultura organizacional das empresas. No entanto, à medida que as organizações se apercebem do impacto que a ciência comportamental pode causar, são levantadas questões como “Qual das inúmeras ferramentas e perceções da ciência comportamental será mais útil?” e “Como podem ser usados de maneiras significativas e aplicadas para gerar retornos mensurados sobre o investimento?”.

Existem uma série de princípios que podem ser aplicados nas organizações para promover a felicidade, eficiência e produtividade dos funcionários. Muitas vezes, as práticas comportamentais na organização são os comportamentos que os Recursos Humanos ou a liderança promovem entre os trabalhadores da mesma.

Estes princípios, segundo Wanda Teifenbacher, investigadora na área política comportamental, da sociedade civil e da sociologia organizacional, podem ser aplicados tanto a nível prático, na rotina dos trabalhadores, como ao nível da cultura organizacional. Os mais comuns assentam nestes três:

  1. Gestão de Performance

Está provado que a estipulação de objetivos melhora a performance da organização, desse modo, a Gestão de Performance procura promover o aumento do desempenho dos funcionários através do estabelecimento de metas, logicamente alinhadas com os objetivos estratégicos da empresa em questão, a nível individual ou em equipa, com os quais os trabalhadores se identifiquem.

  1. Promoção da Criatividade e da Inovação

Quando a organização permite o entusiasmo, promove a tolerância e dá espaço aos seus funcionários para errar, a criatividade e a inovação tendem a crescer: as pessoas sentem-se confortáveis a pensar “fora da caixa”. A comunicação dentro da empresa deve ser livre de julgamentos para que isso aconteça, os funcionários devem ser ouvidos para que sintam que as suas opiniões são válidas.

Existem, também, certas hostilidades no ambiente empresarial, como a imposição de um dress-code, títulos ou a pressão temporal que é muitas vezes exigida aos funcionários, que matam a criatividade dos mesmos.

  1. Incentivo à Gestão

A irracionalidade humana pode ser usada para encorajar indiretamente certos comportamentos- o incentivo é um fator que promove a produtividade, a inovação e a realização de tarefas eficientemente. Este incentivo pode surgir de várias formas, por exemplo, através da imposição de reuniões de curta duração, da existência de espaços de lazer dentro da empresa ou da introdução de no meeting days, em que o trabalho dos funcionários não é interrompido.

Os princípios psicológicos costumam estar na raiz das práticas comuns de um negócio bem-sucedido. É importante que o bem-estar seja promovido, baseado na compreensão das necessidades e do psicológico do ser humano pois, reconhecer e acomodar a importância da saúde mental dos trabalhadores é vital para o que haja um ambiente de trabalho seguro e saudável.

 

Os processos de aprovação e de liderança implementados para que as ciências do comportamento possam ser aplicadas num meio organizacional dependerão da cultura corporativa da empresa em questão, e da sua capacidade de gestão de risco. Segundo Steve Martin e Antoine Ferrere, autores do artigo “Building Behavioral Science Capability in Your Company” do Harvard Business Review, é importante que a empresa aplique:

  1. Um comité de ética

A ética é uma consideração importante, uma vez que, a ciência comportamental procura compreender, prever e influenciar comportamentos humanos. Um comité de ética, para ser completo e bem estruturado, deve ser comporto por um grupo de pessoas de várias posições e níveis, e que sejam cautelosas (de forma a diminuir os riscos) e, pelo menos uma delas, deve ter uma função jurídica. Os membros devem procurar ter um processo de tomada de decisão transparente e todas as decisões devem ser tomadas com antecedência e de uma forma cuidada.

  1. A envolvência de representantes funcionais

Antes de serem implementadas intervenções a nível comportamental, é importante identificar os colaboradores da organização que poderão ser, negativamente afetadas, e recorrer aos seus gerentes com antecedência. Ao recorrer a estes trabalhadores e aos seus gerentes, acaba por ser economizado tempo no processo de implementação e são evitadas obstruções no que toca à prática de insights nas equipas.

 

As ciências comportamentais começaram a ganhar notoriedade a nível de Recrutamento e seleção há muito pouco tempo. Antes de ser considerado como um fator relevante, a escolha de candidatos ou a promoção de trabalhadores, “restringia-se aos conhecimentos técnicos e à experiência dos indivíduos, a informações presentes no currículo do profissional” (Marques, Danielle, 2020). Nos tempos que correm, a ciência do comportamento é um aliado importante da empresa não só para promover a produtividade dos seus trabalhadores, como é para o recrutamento de novas pessoas para integrar nas suas equipas, é importante que sejam contratadas as pessoas certas, alinhadas com os objetivos e a cultura da empresa, para isso, é importante conhecer os traços de personalidade dos candidatos, para que seja possível prever o seu desempenho no trabalho. Com esse objetivo, é utilizado o Modelo dos 5 fatores de personalidade que exploram a estabilidade emocional, a consciencialização, a extroversão, a amabilidade e a abertura à experiência; outro modelo a ser aplicado é a Metodologia DISC, a partir da qual é possível traçar o perfil comportamental de uma pessoa ou cargo. Esta metodologia assenta na análise dos seguintes fatores comportamentais: Dominance, Influence, Stability & Conformity (Dominância, Influência, Estabilidade e Conformidade).

O uso das características propostas pelos modelos apresentados como estrutura para a integração do trabalhador, ajudam a empregar pessoas com uma grande chance de sucesso.

 

No fundo, as empresas não são mais que um aglomerado de pessoas, dessa forma, é crucial que seja feito um esforço para as compreender, assim como, que sejam implementadas perceções psicológicas e comportamentais na cultura organizacional das empresas, isto irá melhorar a relação entre todos os membros da organização e os seus níveis de produtividade e eficiência irão, consequentemente, aumentar. O impacto será notório, desde o cliente à direção. As empresas que desejam e são capazes de implementar a ciência comportamental para a inovação, irão beneficiar de uma grande vantagem competitiva, um fator que comprova isso é o avanço da tecnologia, à medida que o mundo dos negócios caminha a par com a evolução digital, é de extrema importância “compreender a parte humana na tomada de decisões nas interações homem-computador” (Syal, Supriya 2018).

 

 

 

 

 

 

Referências Bibliográficas:

Filipis, Stefania De (2020/07/01) Behavioral Science bliss at Niggestock 2020 [Web log post] Retrieved from: https://www.themarketingtechnologist.co/

Marques, Danielle (2020/08/10) Gestão do Cimportamento nas Organizações: O que é? [Web log post] Retrieved from: https://www.etalent.com.br/

Martin, Steve & Ferrere, Antoine (2017/12/04) Building Behavioral Science Capability in Your Company [Web log post] Retrieved from: https://www.hbr.org/

Sentiance, (2019/04/29) Applied behavioral science and machine learning [Web log post] Retrieved from: https://www.sentiance.com

Syal, Surpyia (2018/02/26) Why Behavioral Science is Good for your Business [Web log post] Retrieved from: https://www.greenbook.org

Tiefenbacher, Wanda (2019/09/18) How does behavioral science help improve the workplace? [Web log post] Retrieved from: https://www.ckju.net/en/

 

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