A Visão Cega

Visão cega

A Visão Cega

A Visão Cega 1588 2246 Julien Diogo


O cérebro e a visão: O que é a Visão Cega?

As investigações sobre este tipo de casos começaram com George Riddoch, um neurologista que estudou as defeciências visuais em soldados que sofreram lesões cerebrais durante a Primeira Guerra Mundial. Com base nesses estudos criou o Síndrome de Riddoch que se carateriza por persistência simples da perceção de movimento no campo visual anóptico, sem a capacidade de determiner qualquer outro atributo do estímulo ou objeto que se move. Os nomes “neurológicos” destes sintomas são: gnosopsia, a consciência de ter visto algo; gnosanopsia, a consiência de que algo aconteceu no campo visual, sem se capaz de descrever o quê; e agnosopsia, a capacidade de discriminar corretamente sem manifestação da consciência de faze-lo. Isto significa que o cortex visual primário (V1) não é fundamental para a percepção consciente da visão.

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George Riddoch

Larry Weiskrantz, psicologo britânico, membro da Academia Nacional de Ciência dos EUA e da Academia Europaea, criou o conceito de Visão Cega. A Visão cega é a capacidade de reconhecer objetos num ambiente mesmo sem ter a consciência de os conseguir ver. O efeito ocorre em cegueiras corticais, onde o cérebro consegue processar informações que os olhos recebem. O cego é capaz, se for treinado, de reconhecer cores e expressões faciais.

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Larry Weiskrantz

A visão cega justifica-se pelo facto de existirem muitas vias que ligam os olhos ao cérebro, no caso dos humanos cerca de uma dezena. Então, uma lesão cerebral pode afetar apenas uma via aleatória. Caso a via afetada seja a via principal que envolve o córtex – importante para distinguir pormenores e que está estreitamente ligada à experiência consciente da visão – isto levará à chamada visão cega.

Este tipo de visão é possível devido ao facto de o cérebro ver coisas que “nós” ainda não vimos. Isto porque existem duas vias diferentes no cérebro:

  • Via de visão rápida (através do colículo superior) que move os olhos;
  • Via de visão lenta (através do córtex) que consegue detetar os pormenores do que estamos a ver.

Estudo sobre visão cega – Como pessoas com visão cega conseguem desviar-se de obstáculos e reagir a emoção em rostos?

Beatrice de Gelder e os seus colegas mostraram que o mesencéfalo (região do subcórtex onde se situa o colículo superior) é essencial na associação de um sinal visual que não pode ser conscientemente percebido em uma ação. Nestes testes, pede-se a um paciente que aperte um botão enquanto se mostra um quadrado do lado que ele vê. Algumas vezes, mostra-se um quadrado ao mesmo tempo no seu lado cego. Algumas vezes usam-se quadrados cinzentos e noutras, roxos. Escolheu-se um tom de roxo que apenas um tipo de cone (célula responsável pela captação das cores no olho) deteta, sabendo que o colículo superior não recebe informações daquele tipo (ele é insensível a essa cor). 

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Beatrice Gelder

Um quadrado cinza do lado cego do paciente acelerou a sua resposta e fez com que as suas pupilas se contraíssem mais – sinal de processamento do estímulo – enquanto um quadrado roxo não causou efeito. Ou seja, ele exibiu a visão cega durante o estímulo cinza mas não para o roxo. Mapeamentos cerebrais mostraram que o seu colículo superior tinha uma atividade mais forte no estímulo cinza no lado cego.
Essas descobertas mostram que o colículo superior atua no cérebro humano como uma interface entre o processamento sensorial (visão) e o processamento motor (que leva à reação do paciente), contribuindo assim para o comportamento visualmente guiado envolvendo o córtex e totalmente fora da experiência visual consciente. 

A visão cega acontece, então, quando uma pessoa responde a estímulos visuais que pode “ver” com os olhos, mas que, devido a lesões, o seu córtex visual primário não consegue traduzir para o cérebro. Isto porque as pessoas com essa condição podem perceber os estímulos visuais, inconscientemente, por outras áreas do cérebro que ainda são capazes de interpretar estímulos visuais. 

Referências bibliográficas:

SETH, Anil. Paula Caetano, O Cérebro em 30 segundos. Lisboa: Jacarandá, 2018.

The British Psychology Society. Leicester. [DATA DE CONSULTA. 2019-02-11 12:15:17]. Disponível na Internet: https://thepsychologist.bps.org.uk/volume-31/april-2018/lawrence-weiskrantz-1926-2018

National Center for Biotechnology Information. Rockville. [DATA DE CONSULTA. 2019-02-11 11:54:36]. Disponível na Internet: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9549486

WHONAMEDIT. New York. [DATA DE CONSULTA. 2019-02-11 11:43:48]. Disponível na Internet: http://www.whonamedit.com/doctor.cfm/1192.html

Psicoativo. São João del Rei. [DATA DE CONSULTA. 2019-02-11 11:32:12]. Disponível na Internet: https://psicoativo.com/2016/01/visao-cega.html

Scientific American Brasil. São Paulo. [DATA DE CONSULTA. 2019-02-11 11:59:56]. Disponível na Internet: https://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/a_estranha_visao_dos_cegos.html

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